É sexta-feira e nos murais do Facebook já irrompe o estado de euforia que antecipa o fim-de-semana.

Aproveito para me antecipar à segunda-feira e aos posts de desconsolo pelo início de uma semana de labuta.

A minha reflexão não se deve ao desalento generalizado de quem se queixa de ir trabalhar num período em que a taxa de desemprego teima em manter-se elevada. É natural que possa ter um emprego de que não se goste particularmente, daí que a antecipação do retorno ao trabalho, após o fim-de-semana, possa ser uma experiência pouco agradável.

Deve-se ao facto desta “síndrome” frequentemente se manifestar mesmo quando o emprego não é particularmente uma fonte de conflitos nocivos, e ser produto de uma postura negativista perante a vida, manifestando-se de forma óbvia na antecipação de uma semana preenchida com exigências.

O negativismo é uma espécie de vírus mental: contamina um pensamento e, sem se dar conta, domina toda a mente, transformando a pessoa numa vítima de todos os pequenos pormenores que, embora possam ser incómodos, na realidade não afetam a generalidade da vida.

Quero reforçar esta distinção: há coisas que naturalmente são incómodas, no entanto, não são necessariamente uma ameaça. O bem-estar é o resultado do balanço entre coisas boas e menos boas, lidar constantemente com um número variável de coisas incómodas é uma condição de vida.

A maioria das situações desagradáveis só afetam o bem-estar parcialmente e temporariamente. Sobrevalorizar os problemas inverte esta condição, o mal-estar torna-se generalizado e constante porque o foco da atenção vive em torno dos problemas e como consequência deixa-se de viver e sentir as coisas positivas que geram bem-estar. Pode ainda gerar-se uma insegurança crescente no futuro e a ansiedade tornar-se a emoção predominante do dia-a-dia.

Se as suas semanas são constantemente martirizantes e os finais de dia e os fins-desemana não têm um efeito reparador, talvez o seu problema não seja a “depressão de segunda-feira”, e provavelmente será necessário repensar a forma como organiza a sua vida, de forma a torná-la mais gratificante. Caso sinta que precisa de ajuda para o conseguir, não hesite, porque em última instância é responsabilidade sua pedir ajuda!

Deixo a sugestão de que tente perceber até que ponto os seus problemas são realmente situações graves e de que forma pode resolvê-las, porque queixar-se passivamente não irá resolver nada! Se constatar que afinal os problemas não são assim tão graves, talvez seja uma boa ideia aproveitar para viver a vida de uma forma menos masoquista e valorize a felicidade de poder ter coisas positivas com que aproveitar a vida!

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