Em que medida os resultados do passado definem o presente?

É comum ouvir-se, na análise desportiva, comentários como “- Pela análise dos jogos dos últimos campeonatos, a Alemanha é favorita”, ou “- O melhor clube português é o (…) porque nos anos 60 ganhava tudo”, etc. [pullquote]Se utilizamos uma experiência passada como resposta para todos os acontecimentos posteriores, então o presente será sempre uma sombra do passado, uma experiência não actualizada e desprovida de um contexto que certamente deveria ter peso numa análise.[/pullquote]

Este fervor clubista deixou-me a pensar na forma como por vezes se pensa com uma lógica que mistura uma entidade com as pessoas que fazem, ou fizeram, parte dela. O mesmo acontece em tantas outras situações: “o partido (x) sempre desempenhou um bom trabalho”, “não se pode confiar na polícia”, “os psicólogos são todos malucos(!)”, etc.

O ser humano tem uma tendência natural para analisar o passado como forma de se preparar para o presente, seja a estudar em livros, a perguntar a pessoas mais velhas, ou a fazer uma introspecção sobre a sua própria experiência.

Se o passado serve para aprendermos com ele, não serve no entanto para nos prendermos a ele. Quer isto dizer que se utilizamos uma experiência passada como resposta para todos os acontecimentos posteriores, então o presente será sempre uma sombra do passado, uma experiência não actualizada e desprovida de um contexto que certamente deveria ter peso numa análise.

Portugal pode ser a melhor selecção do mundo para um português e a Alemanha pode ser dona da estatística dos jogos passados, mas o resultado de um jogo só depende de 90minutos e dos que estão dentro do campo…

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