Até ao século XVIII as crianças eram vistam como adultos em pequena escala, sem que lhes fossem reconhecidos direitos essenciais como a educação, amor e compreensão familiar. A mudança que ocorreu a partir de então foi um grande passo civilizacional porque estes direitos permitiram que os adultos aprendessem a cuidar melhor das crianças. Mas, o desafio que lhe lanço no Dia da Criança é que pense se enquanto adulto ainda traz consigo as virtudes que tinha quando  era criança.

Naturalmente espera-se que um adulto não seja desadequadamente infantil, mas encontro-me frequentemente com pessoas que incutem nelas próprias uma grande pressão para serem muito adultas, ao ponto de perderem contacto com a espontaneidade natural que se deve guardar da infância.

Ser adulto não pressupõe deixar ser criança, apenas tornar-se numa mais experiente e com mais conhecimento. Alguém que guarda as coisas boas de ser “pequeno” e acrescente as coisas boas de ser “grande”.

É curioso como durante o crescimento tantas vezes se esquece do prazer que era desfrutar coisas simples, sem as complicações dos adultos.

E se neste exercício tivesse que escolher entre as virtudes de criança que podemos e devemos manter em adultos, recomendaria três:

A curiosidade, que permite que se investigue o mundo, que se cresça e se aprenda com as pessoas que têm vidas diferentes;

A capacidade de brincar, que é talvez a perda maior frequente para os adultos, porque muitas vezes se desvaloriza a importância de ter prazer na vida;

A espontaneidade, porque demasiadas vezes se está demasiado preocupado com as aparências e com o julgamento dos outros, o que é uma atitude castradora da essência da pessoa.

É triste ver adultos que recorrentemente criticam as crianças por quererem simplesmente ser crianças. Criticam quando as crianças são sinceras porque estão a ser mal educadas, quando brincam muito porque estão a ser hiperactivas, quando pedem carinho porque estão a ser chatas… Críticas que frequentemente também são trocadas entre adultos, porque ser divertido, e espontâneo é julgado como ser infantil.

Se precisa de desculpas para que a sua criança interior renasça aproveite o dia de hoje, verá que será mais reconfortante dizer-lhe de novo “olá” do que abandoná-la.

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