Com novos tempos vêm os novos costumes e a história começa a ser escrita de maneira diferente, o que pode desenvolver-se em dois sentidos. Por um lado, pode aproveitar-se o exemplo do que já foi vivido e aprender com experiência; por outro, como filosofou George Santayana, se não se aprende com a história, está-se condenado a repeti-la.

Esta reflexão é particularmente interessante quando se constata que muitos adultos, quando se relacionam com crianças, parecem ter esquecido que já o foram, e certamente das frustrações que tiveram quando lidavam com os adultos. Antigamente, se a criança não ajudava os pais no ofício era rebelde, depois, se não encontrava prazer no estudo e não aprendia era disléxica, hoje em dia, porque um bom menino não se pode comportar como uma criança, mesmo que de facto o seja, é hiperactivo. “Diz-me que tipo adulto refilão és, dir-te-ei a criança que não pudeste ser!”.

Para um adulto deverá ser um exercício relativamente simples o exercício de relembrar os tempos em que se queria brincar e a vontade – natural – para o fazer. Para a criança é fundamental poder brincar, porque não é apenas um momento de lazer, como aquela escapadinha ao facebook de 5/30 minutos no escritório, é o exercício de descobrir o mundo, bastante mais produtivo do que possa parecer ao olhar ligeiro. O fresco a água na pele, o cheiro as plasticinas, o barulho do prato a escaqueirar no chão, o sabor dos lápis de cera, espetar da barba do pai, o calor do colo da mãe… O que é  tudo isto?! O que faz?! Para que serve?! E ainda há quem diga que é só festa! Trabalho árduo! Mas inteligente é a criança, porque ainda se lembra que é possível ter prazer em explorar a vida! Tanto que se pode, e deve, aprender com os pequenos, porque este deve ser uma tarefa partilhada com os pais. Também a criança tem a necessidade de sentir que os pais têm prazer a descobrir como funcionar com ela. Fraldas, biberão, uma sinfonia choros diferentes… O que é  tudo isto?! O que faz?! Para que serve?!

Com habilidade, é certo perceber que ser criança e cuidar de uma afinal não é tão difícil assim!

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