A música oferece às paixões o meio de obter prazer delas.”,dizia Nietzsche. Embora o filósofo não fosse sócio de um Health Club, bem se poderia ter inspirado numa sessão de treino para supor esta citação. O que explica a razão da música ser uma boa companheira para as suadelas diárias… ou ocasionais?

A explicação mais elementar passa por uma catadupa de nomes enciclopédicos que além de darem um aspecto “intelectualóide” à matéria, também fazem parecer um génio quem o explica.
O som estimula o tímpano que envia impulsos eléctricos para o cérebro, activando o sistema dopaminérgico estriatal , ou seja, a libertação do neurotransmissor dopamina é sentido como uma sensação física de prazer. Genial?!
Esta explicação seria suficiente para satisfazer a curiosidade de um animal pavloviano, em que um simples estímulo físico provoca uma alteração interna. Se assim o fosse, o ser humano não passaria de um fantoche das notas que mete ao ouvido.

Ora, o core da questão está assente num elemento francamente mais humano: o prazer de viver.

Um dos mitos da modernidade explica que de determinados produtos (que sejam tão bons como a publicidade que os divulga), são dotados de características milagrosas, e que têm a capacidade de compensar uma incapacidade da pessoa que o utiliza ou consome (limitações de força, equilíbrio e resistência, por exemplo!). O erro está no pormenor de que a vida não se faz por meio da compensação do sentimento de falta/incapacidade, mas sim pelo meio da complementaridade do que já faz parte da pessoa. Lembrando o Principezinho: “as coisas mais importantes não se vêm com os olhos, mas sentem-se com o coração”.

A importância da música no ginásio, a bem ver, não é nenhuma, mas o que condimenta a vida não são as necessidades, são os prazeres, e se ouvir música é um prazer, ela será certamente um bom tempero para qualquer actividade da vida.

Será suposto ouvir um adágio de Vivaldi numa sessão de Cycling? Se souber bem ao ouvido, por que não?!

De todas as melodias, a mais importante é a música do coração (o sentimento, não o filme!).

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