A forma como se veste a posição paternal estabelece um papel de influência no crescimento de um filho. O desenvolvimento é um processo de aprendizagem para a vida, e os primeiros professores e  modelos de inspiração são os pais. É neste contexto que a máxima “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és” revela todo o seu esplendor.

Um aspecto particular da forma como a educação é abordada por alguns pais, e que se tem tornado cada vez mais observável em público, é a ameaça de violência gratuita oferecida aos filhos, quando estes simplesmente cumprem o papel de crianças. Se a criança é muito efusiva, tem direito a um “chapadão que o atira para o hospital”, se a criança chora porque está triste põe-se a jeito para um “pontapé que até voa”.

O problema não são as palavras que são ditas, mas o que fazem as crianças sentir, quer na relação como se sentem na relação com os pais – são um fardo que incomoda e que irrita, e por isso merecem ser desprezadas -, quer na forma como pensam sobre elas próprias – o direito a ser genuína e autêntica não existe.  Quando disciplina se confunde com agressão, o crescimento torna-se uma experiência dolorosa, porque mesmo que não se consumam maus tratos físicos, já as palavras causaram dano.

Educar não é pisar, muito menos impor limites, implica sim ajudar a compreender as regras de uma vivência integrada numa sociedade, mas através de uma disponibilidade só sustentada num amor sólido, e nunca num humor volátil e inseguro.

Da mesma forma que ser um agente activo numa dinâmica violenta com uma criança, é igualmente danoso desempenhar um papel passivo quando se observa violência entre irmãos, furtando-se à condição de participante. Dar liberdade aos filhos é uma atitude que se praticada em demasia atravessa a linha do desligamento e do abandono. Poderá ser fisicamente menos doloroso do que a violência física, mas é certamente tanto ou mais perigoso porque não marca por fora, sente-se e não se vê, são emoções que uma criança ainda não está preparada para lidar. Da mesma forma que na vida académica “com bases pouco estruturadas, os erros persistem”, também a pessoal está ameaçada pela percepção que a criança teve de uma relação de intimidade com aqueles que lhe foram próximos.

Leave A Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.