Situações extremas despertam sentimentos extremos, e o novo corona virus provocou uma onda de comportamentos caóticos.

Os últimos dias têm sido inundados de informações, meias informações e pseudo-informação. Há quem esteja a esforçar-se para construir uma opinião fundamentada e a tentar adoptar um comportamento adequado às circunstâncias. Temos também quem evite o esforço de lidar com a situação, desvalorizando os alertas e racionalizando com argumentos ignorantes. Também há aqueles que são dominados pelos próprios medos e tentam preparar-se para o fim do mundo, criando stocks imensos de papel higiénico.

Momentos como este são uma ameaça à saúde da mente porque desafiam a capacidade que cada um de nós tem para lidar com sentimentos de medo e falta de controlo. São circunstâncias que exigem que nos comportemos como adultos responsáveis que procuram activamente informação fiável e que façamos os sacrifícios pessoais necessários para o bem de todos. Saúde mental é, acima de tudo, uma consequência da maturidade da personalidade, e revela-se na forma como nos comportamos quando somos desafiados pela vida.

Compreender o Pânico

Todos temos uma tendência natural para lutar pela sobrevivência. O nosso cérebro vem programado com instintos que nos impelem a agir rapidamente e drasticamente para evitar os perigos. A impulsividade dos instintos foi útil à sobrevivência individual durante muitos séculos, quando vivíamos na selva e podíamos ser a presa de um animal esfomeado! Mas ser impulsivo raramente é eficaz a longo prazo. Por isso mesmo, ao longo da evolução da espécie surgiu a necessidade de desenvolver uma ferramenta bastante mais eficaz: o pensamento!

Temos que parar para pensar antes de agir!

É natural que esteja a sentir stress com esta pandemia. O confronto com uma situação nova e ameaçadora é alarmante, tanto mais se a solução não depende apenas do nosso esforço porque nos depara com o sentimento de falta de controlo sobre a própria vida. Mas é importante não confundir a intensidade destes sentimentos com a gravidade da situação.

Se está com medo de morrer e não tem sintomas, ou caso ja tenha comprado um stock de mantimentos suficiente para um ano, e se ainda não leu com calma as informações das entidades competentes, provavelmente está em pânico! E é sua responsabilidade compreender o que sente para não ter comportamentos disruptivos.

O sentimento de pânico surge quando a mente é invadida por medos e inseguranças que são activados por alguma situação crítica. O pensamento é sabotado pelos instintos: a problema torna-se um demónio, e a pessoa sente-se impotente. Confundem-se os medos com a realidade. Um cenário equivalente aos tempos medievais, quando a informação científica era precária e os problemas eram imaginados à luz dos nossos medos mais primários: demónios que ameaçam a nossa vida, e sem soluções mágicas ou deuses estamos.

Como evitar o pânico?

Se este sentimento é o resultado de medos que toldam a percepção realidade, então a única solução é a informação.

É a posse de informação sobre a realidade que resulta no sentimento de controlo e consequentemente de tranquilidade suficiente para se manter um comportamento saudável.

Quem se mantém desinformado e/ou em estado de pânico não tem condições de cuidar de si próprio.

O vírus não é uma bala numa arma apontada à sua cabeça, o vírus não ameaça o stock de comida do seu supermercado, o vírus não está fora da sua porta à espera que o inale.

Agir com responsabilidade e civismo

Tal como a maioria dos problemas da vida, o SARS-CoV-2 (COVID-19) não é a pior coisa do mundo, mas também não é simplesmente inofensivo.

Para conseguir adequar a sua resposta à gravidade da situação tem de estar devidamente informado. Sem informação o pensamento divaga por instintos e fantasias!

Comporte-se com base em informação de fontes fidedignas. Ler títulos de publicações do facebook não conta! Achar que uma ideia faz sentido “porque sim” não conta! Concluir que “eu é que sei” não conta!

Ao momento da publicação deste artigo, a fonte oficial do governo portugês é o site: https://covid19.min-saude.pt/

Também tem o site da Organização Mundial de Saúde, onde poderá ter informações a nível internacional: https://www.who.int/es

Reforço: Mantenha-se atualizado e esclarecido com informação válida e estará capaz de ser um cidadão responsável e estará tão tranquilo quanto a situação permite.

Os sentimentos desconfortáveis que esta situação desperta não são apenas  relacionados com o medo. Também poderá ser desconfortável lidar com um sentimento que deveria ser fácil de lidar. Poderá ser desconfortável porque não faz parte da nossa natureza instintiva de auto-preservação. É o sentimento de cooperação.

É uma tendência do ser humano lutar pela própria sobrevivência. Enquanto somos crianças temos adultos a relembrar-nos constantemente que temos que pensar nos outros. Aparentemente é uma aprendizagem fácil de esquecer!

O controlo que tanto o tranquiliza só se consegue com a cooperação dos outros. E os outros só terão essa tranquilidade se também você cooperar.

Não tem que sacrificar a sua vida por ninguém. Não tem que passar fome por ninguém. Só tem que lavar as mãos,  evitar o contacto social na medida do possível e não levar o papel higiénico todo. Nota lateral: por acaso encontrei papel higiénico, ovos é que já não havia, mas a senhora do supermercado garantiu que amanhã já estariam repostos!

#ficaemcasa

fonte da imagem de destaque: https://www.cm-pombal.pt/

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