As novas medidas disuasoras de consumo de álcool e tabaco, limitam o consumo de bebidas alcoólicas a partir dos 21 anos e os maços de cigarros deixam de ter advertências em forma de texto e passam a ter imagens chocantes. O ministro da saúde, Paulo Macedo, mencionou que estas leis servem não só para controlar, mas também para prevenir o consumo. Valem, pelo menos, pela intenção de prevenção.


Então o que leva os jovens a iniciar o consumo de substâncias e, cada vez mais cedo nos últimos anos?

Certamente a maioria das pessoas que nasceram antes de década de 80 lembram-se do icónico personagem “Marlboro Man” que fez disparar o consumo de tabaco nos USA e no mundo. Esta foi uma das campanhas publicitárias mais brilhantes de todos os tempos porque não vendeu tabaco, mas sim um conceito extremamente apelativo. A própria justificação da agencia publicitária que criou o conceito explica por si própria o grande incentivo para o consumo de tabaco: “transmite a imagem certa para capturar a fantasia da juventude…[e projeta] um símbolo perfeito de independência e rebeldia individualista(1) ”. – os cigarros tornaram-se um amuleto de auto-estima para os adultos.

Esta moda impregnou-se rapidamente em várias culturas porque proclama valores transversais a uma grande maioria de pessoas, que são de fácil acesso e que até recentemente não eram reprimidos. Era uma forma fácil e barata de parecer “fixe”.

O processo de adoptar comportamentos que a pessoa considera que a vão tornar melhor faz parte do desenvolvimento da personalidade. Pode resumir-se em três grandes momentos. A primeira fase inicia-se na infância, em que a criança segue os exemplos da família para ir experimentando o mundo – os pais são os Marlboro Mans da criança! Durante a adolescência, os novos modelos são os colegas mais velhos, ou os que são considerados os “mais populares da escola”.

Esta combinação de tentar ser como as pessoas que se admira, de uma forma fácil e rápida, tornou o consumo de tabaco um ritual de iniciação na adolescência, em que os já fumadores imitam os adultos, e os mais novos imitam os amigos.

Com o amadurecimento da pessoa, espera-se que ela aprenda a valorizar as experiências pelo custo-benefício próprio e não tanto pela valorização externa que terá.

A raiz do problema não é tanto o acto em si, mas a necessidade de afirmação ficar dependente de um comportamento que em última instância não cumpre o fim a que se propõe. Os comportamentos aditivos, na sua essência, desenvolvem-se quando a pessoa substitui a relação com pessoas por relação com uma substância: já não se está com os amigos enquanto se bebem uns copos, mas ao contrário, está-se a beber uns copos enquanto, por acaso, estão lá pessoas que fazem o mesmo.

A prevenção destas situação é naturalmente multifacetada. Compete às famílias, em primeiro lugar dar o exemplo! Os adultos só serão respeitados caso demonstrem atitudes responsáveis. Também devem ensinar aos jovens a “arte de estar em relação”, dinamizar tempo em família e partilhar momentos, desenvolver conversas e mostrar interesse nas coisas que eles fazem – mostrar que a pessoa é mais interessante que as “coisas em si”. Por outro lado, as escolas devem ter um papel pedagógico de transmitir conhecimento sobre os perigos de consumos abusivos e, por outro lado,  disponibilizar alternativas de ocupação aos jovens, como por exemplo clubes de actividades sobre vários temas (desporto, ciência, cultura, etc). Por fim, também compete às entidades governamentais acções que visem informar e, através da lei, educar quanto ao que não deve ser feito.

(1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Marlboro_Man#cite_note-Barry1997-2

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